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A Fraude no INSS e a violência financeira contra a pessoa idosa

  • Foto do escritor: Phelippe Guesser
    Phelippe Guesser
  • 18 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de set. de 2025

Nos últimos meses, veio à tona um dos maiores escândalos de fraude envolvendo a Previdência Social no Brasil. Milhões de aposentados e pensionistas foram surpreendidos por descontos indevidos diretamente em seus benefícios, sem qualquer autorização ou conhecimento prévio. Trata-se de um caso emblemático de violência financeira e patrimonial contra a pessoa idosa, tema que exige atenção urgente por parte da sociedade, dos órgãos públicos e das famílias.


Fraudes Associativas: O golpe invisível

A fraude começou com o registro indevido de aposentados em entidades associativas fictícias. Essas entidades, que existiam apenas no papel, passaram a cobrar mensalidades de forma automática, como se os beneficiários tivessem se filiado voluntariamente.

Esses valores — geralmente pequenos, como R$10, R$20 ou R$40 — eram debitados diretamente do pagamento do INSS, mês após mês. Muitos idosos sequer percebiam o desconto. Estima-se que mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas, gerando um prejuízo superior a R$ 4 bilhões.

A brecha foi possibilitada por falhas na fiscalização do sistema da Dataprev e por alterações legislativas que tornaram mais fácil a inclusão dessas cobranças, sem confirmação real dos beneficiários.


Como saber se você foi afetado?

A recomendação é acessar o aplicativo “Meu INSS”, consultar o extrato de pagamento do benefício e verificar a existência de descontos suspeitos. Caso identifique alguma cobrança irregular, o beneficiário deve informar ao INSS que não autorizou e solicitar a restituição.


Empréstimos Consignados: entre a facilidade e o risco

Outro ponto crítico é o crescente abuso na contratação de empréstimos consignados. Trata-se de uma modalidade em que as parcelas são descontadas automaticamente do benefício do INSS, o que, teoricamente, justifica taxas de juros mais baixas.

No entanto, diversos idosos têm sido vítimas de golpes e abusos contratuais, como:


  • Empréstimos realizados sem consentimento;

  • Ligações telefônicas enganosas e atendentes que ocultam informações;

  • Assinaturas obtidas em documentos confusos ou em meio digital;

  • Venda ilegal de dados por parte de bancos ou correspondentes.


Muitas vítimas só percebem o problema ao consultar o extrato e notar descontos que não reconhecem. O prejuízo vai além do financeiro: afeta a dignidade e a autonomia dos idosos.


Como reagir?

Embora existam canais administrativos, na prática, a solução mais eficaz é o ajuizamento de ação judicial, o que pode garantir:


  • Cancelamento do contrato;

  • Devolução dos valores pagos;

  • Indenização por danos morais.


É importante procurar um advogado de confiança ou a Defensoria Pública, que pode auxiliar gratuitamente quem não tem condições de pagar.


O perigo silencioso do cartão consignado com RMC

Uma das formas mais perigosas de endividamento é o chamado cartão de crédito consignado com reserva de margem consignável (RMC). Nessa modalidade, o banco oferece um cartão junto com o empréstimo. Mesmo que o idoso nunca use o cartão, uma parte do seu benefício é automaticamente descontada todos os meses, pagando apenas o valor mínimo da fatura.


Isso significa que a dívida continua crescendo indefinidamente, com juros e encargos, sem que o beneficiário sequer perceba. Em muitos casos, a propaganda é enganosa, fazendo parecer que se trata de um simples empréstimo com “condições facilitadas”.


Exemplo prático:


Benefício recebido: R$5.000,00

Desconto mensal de consignado: R$200,00

Encargos mensais: R$400,00

Dívida total cresce para R$5.200,00 mesmo após o desconto.


Esse tipo de contrato compromete seriamente a subsistência da pessoa idosa, afetando despesas essenciais como alimentação, saúde e moradia.


Cuidados e orientações práticas

Para evitar cair em armadilhas financeiras, seguem alguns conselhos importantes:


Evite contratar empréstimos por impulso. Pense, consulte alguém de confiança e avalie se é realmente necessário.


  • Leia tudo antes de assinar qualquer documento. Se tiver dúvidas, leve para casa ou peça a opinião de alguém de confiança.

  • Proteja seus dados pessoais. Nunca forneça CPF, número de benefício ou dados bancários por telefone.

  • Organize seus gastos. Mantenha controle do que entra e sai do seu orçamento mensal.

  • Procure ajuda especializada. Diante de qualquer problema, procure um advogado ou a Defensoria Pública.


Conclusão

A proteção do patrimônio do idoso é uma questão de justiça, dignidade e cidadania. Golpes financeiros, como os que ocorreram no INSS, precisam ser enfrentados com informação, ação judicial e apoio da família e da sociedade. O combate à violência patrimonial começa pela conscientização e empoderamento da pessoa idosa.


Se você desconfia de descontos indevidos ou de contratos que não autorizou, não se cale. Exija seus direitos. Por Phelippe Guesser, advogado inscrito na OAB/SC 41791.


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